Menina Mulher Flutuante

a arte de ser equilibrista numa sensação esvoaçante, de menina que quer ser grande e de mulher que não quer crescer

segunda-feira, 29 de março de 2010

coisas de concursanda

estava absorta nos meus devaneios jurídicos, meio distraída, meio concentrada.

uma pessoa estranha, parecia inofensiva, me diz "moça, suas folhas"

eu ignoro, a pessoa aponta. e lá estão, cerca de 20 folhas de fichários cor de rosa, espalhadas pelo calçadão. vou desesperada, pegar, antes que alguém pise e as destrua impiedosamente.

uma senhora que acompanhou a cena, toca no meu braço e diz: "vão cair mais".

agradeci e fugi rapidamente dali, deixando as pobrezinhas seguras, até o próximo descuido.

pensei no meu desespero, acreditando que quase perdi um tesouro inestimável. depois percebi que não, que poderia sim recuperar tudo aquilo, com um pouco de tempo e trabalho.

pensei em como pequenas coisas, simples papéis coloridos usados podem quase abalar uma bela manhã nublada de segunda feira.

sexta-feira, 26 de março de 2010

ela me fez bem. me faz muito bem.

misteriosamente, ela sempre me salva. mesmo quando estou na treva, literalmente.

me faz desejar, me faz sonhar os delírios mas ousados. mais proibidos.

me faz querer mais, me faz ultrapassar os limites.

o que me oprime parece ser feito de gelo ou de cristal. a gente sempre quebra, uma hora ou outra.

parece que o ar ficou rosado de repente. sempre nessa tonalidade. para combinar com o fogo que é o leão.

finalmente parece que estou no caminho certo.

domingo, 7 de março de 2010

Bebendo leite

Pressão. Pressão. É isso que tenho, é isso que vivo.

O corpo já não é o mesmo e tudo me faz perceber a mudança. O guarda-roupa, outrora alegre, vivo e colorido, hoje me mostra poucas peças, tristes e repetidas.

Os pés antes provocantes, perderam o frisson, o cetim e ganharam a atenção do jaleco.

As máquinas passam por mim, mas eu me abaixo, me escondo. As pessoas de um passado recente - e distante também - são suavemente dissipadas. A vergonha, o arrependimento, a fraqueza são pesos duros de carregar. Ás vezes tenho que me arrastar para carregar tudo.

O senso de aventura foi perdido. A coragem de desbravar o mundo. De dar a cara a tapa. Tudo culpa de uma desilusão idiota, na qual todas as pessoas envolvidas foram idiotas - sem querer, prestando atenção nos valores errados e com 100% de imaturidade.

A gente vai se contentando com mais ou menos 20% do planejado. Vai se deixando levar. Vai aceitando as idéias dos outros. E por isso, vai ficando para trás.

E quando vemos, somos pessoas muito diferente do que éramos, somos muito diferentes do que queríamos ser. Decepcionamos a todos que estão a nossa volta e a nós mesmos por consequencia.

Não é fácil ter toda a responsabilidade do mundo. Ter que prestar atenção em tudo, resolver todos os problemas. Nunca se deixar abater. Bater continência quando necessário e partir para a luta armada ou vias de fato em outros momentos.

Talvez não tenha nascido para camaleoa. Calculei mal o que poderia suportar como a mulher que devo ser.

Repensar tudo? Dá uma grande preguiça e uma sensação de impotência. Mas acho que é a única saída. Espero reunir forças para não perecer no caminho.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

imagem recebida em homenagem à minha postagem anterior.
sou eu, na festa capilar.
chama-se "karin em pontilhado",
da artista plástica Regi. Munhoz

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Festinha capilar

Meus cabelos agradecem, por se libertarem da opressão das palavras más ao seu respeito.

Por se libertarem da opressão dos grampos, da opressão das fivelas e das “marias-chiquinhas” que o envolviam por pura obrigação, ou por pura injustiça e preconceito.

Que bela decisão tomei por eles, abandonando o antro do não entendimento!

Não terão mais que ouvir calados ou perceber os olhares de reprovação por estarem interligados, em tranças magníficas, que em outros locais poderiam ser admirados e vangloriados.

Os colegas claros e escovados, de laquê ou de chapinha que não se conformam e soltam o verbo não mais incomodarão.

Ganharão as ruas da alegria as visões de todos que assim quiserem ver, sem poder mais usar a mídia como desculpa esfarrapada, para suas mentes tortas e doentes.

Se regozijam e agradecem, por mais não terem que se esconder, para terem que disfarçar o crespo natural como se isso fosse vergonha ou defeito.

Poderão subir para onde quiserem, em todas as direções, sem restrições, num efeito colateral dos mais desejáveis e que os opressores sequer imaginaram. Das suas alturas, meus cabelos poderão rir até gargalhar em sincera alegria. Se balançam, brincam, num gozo único e esperado, que enfim se concretiza.


Viva o meu cabelo bom!

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

pés falantes

Seus pés, meus pés.

Unidos, quentes, semelhantes. Enfeitando, aconchegando.

Os pés me provocam, me tocam, me tentam. Me olham com seus olhos invisíveis e incisivos, me convidam.

Quando estão em dor, me suplicam atenção especial, com aromas igualmente especiais, que somente nós podemos sentir nesses momentos. E tudo de mal se vai, dando lugar somente ao prazer e ao sorriso dos olhos fechados, que se concentram totalmente nessa sensação.

E uma sensação leva a outras, com carinhos pela face e pelas costas, que a pele macia e cheirosa tanto convida as mãos.Os carinhos que são inerentes às pessoas que amam verdadeiramente, que nem se dão conta do passar do tempo. Na verdade, ele sequer existe para nós.

E mesmo sendo adulta, me sinto uma criança, sendo ninada em seu colo, mesmo sendo eu a quem usa as mãos para levar o torpor aos seus sentidos.

Os momentos se eternizam na minha mente, na minha alma, ficando gravados. Só de olhar os móveis e sua disposição, as boas lembranças se reacendem. O fogo arde em meu peito, que requer repetições, o máximo que for possível às nossas existências. O máximo que nos permitirem os ladrões do nosso tempo, o máximo que permitirem os malfeitores que preferem lutas, agressões e violências ao amor sincero que incansavelmente praticamos.

mês de janeiro, às avessas

A vida às vezes me surpreende...

e o mais interessante é que às vezes as surpresas são boas. Tão boas que me fazem pensar, repensar e redefinir os objetivos, e ficar até mesmo em dúvida diante de tantas coisas boas acontecendo ao mesmo tempo.

O agradecimento é a palavra de ordem.

Pessoas, oportunidades e até mesmo instituições me presenteiam, me alegram, me inundam. Será verdade essa alegria toda ou uma alucinação, um efeito psicotrópico? Espero que seja verdade.

Não desejo acordar subitamente após cair da cama.

Minha alma anseia pelo futuro que estava meio atrasado. A alma dela anseia ainda mais. E eu flutuo. Observo-a atentamente e o sorriso, os cabelos, os seios... também me observam. Suas curvas são minhas.

Minhas curvas são dela.

Nada melhor do que o côncavo tocar o convexo, e também o côncavo semelhante para comemorar as boas novas. Posso me entregar totalmente, livremente, tendo a certeza que o atraso do futuro será recompensado, com cada vez mais sensações, daquelas inebriantes, daquelas que fazem suar, por dentro e por fora.

Quem sabe faz, quem não sabe, chupa o dedo enquanto não aprende. Deixo para trás o ego dos outros, as aparências, os falsos sorrisos, más intenções envoltos em pseudo-projetos. Ah sim, e os preconceitos expostos dos outros também. E isso me faz tão bem, me deixa exultante, com vontade de sorrir a todo instante, e de gritar minhas novas palavras de ordem.

Acho que o futuro está mesmo começando. Para mim. Para nós, musa da minha vida, inspiração do meu caminhar.

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Ardências memoráveis pulsantes na tarde de estudos

Estou isolada, encurralada em meio a um ambiente limpo e lindo, com plantas, luzes, brilhos. E ainda há o sol. A música de menina ressoa por meus ouvidos e contagia minha alma. Recebo convites de pessoas de origens e idades variadas. Penso nas soluções para os problemas dos outros. Finalizo minhas obrigações mais urgentes, sem necessidade de impetuosidades verbais.

A tarde termina tranqüila e preguiçosa, sorrindo para mim, me convidando para o deleitar da noite e os prêmios da manhã. Eu sorrio de volta, como há tempos não fazia, me enamorando do pôr do sol, encontrando beleza onde ela nem mesmo quer existir. Isso sim é que é felicidade. Nem as pílulas interessantes poderiam prever essas sensações.

Sim, sim, estou estudando... tenho os meus objetivos. Minha necessidades, minhas obrigações.

Mas.....

Eis que surge a musa. Surge elétrica, me contagia pelo ar, eu a respiro, sinto seu perfume chegando de longe. E tudo pára de repente. Quero refletir mais, quero mais tempo. Mas ela está aí na minha frente, pronta para mim. Ela me chama. Me presenteia com o seu universo sensorial de amabilidades e possibilidades. Eu tenho que agir. Tenho que seguir meus próprios conselhos?! Ou... Não, não quero perder a minha musa, não quero que me abandone, injustamente.

Me lembro de como é a pele, tão macia nas noites de abraço. E desejo que me toquem, urgentemente.

Umas olham e outras sugam. Há quem queira imaginar e tenha medo da realidade reluzente do término dos prazeres. Quero despertar a luxúria novamente. Que a despertem também. Que a despertem. Desperte!

Eu me abro... tudo é propício.... me inundo... Me permito fechar os olhos e abrir os lábios tão naturalmente que nenhuma das almas ao meu redor perceba o meu jogo. Jogo de calor que refresca. Me sinto culpada por breves segundos. E volto para as loucuras inebriantes dessa ausência de ilusão.

Dolorosas divagações ou recitação permanente de efeitos surpreendentes

Olhar para dentro e viajar para aquilo que realmente se quer é algo simples simples demais e combina com a simplicidade da vida sim como imaginar o sorriso o desejo o prazer a alegria a descontração o carinho a amizade o amor a beleza o descanso o céu a terra o mar a brisa tudo isso misturado num tornado enlouquecedor ensurdecedor sacudindo as pessoas e as cidades revolvendo as terras fazendo as árvores voarem nos cérebros sem idéias e sem parafusos tudo polarizado e esvoaçante num segundo numa troca de estações do metrô sob os olhares dos curiosos e curiosas que lêem o que lhes convém e também o que convém a quem lhes domina a vontade e o desejo de abrir os braços infinitamente numa vã busca por aquilo que lhes apetece por agora ou depois ou nunca ou tarde demais perturbação pouca é bobagem porque quero saltar rumo ao infinito gelatinoso e neutralizante do todo como se a densidade do ar e da água e do vácuo pudessem se adaptar aos desejos de quem se joga na ânsia de alcançar os demais sem nunca seguir seu próprio caminho sem os barulhos de sempre e com os barulhos do outro lado que deixam o status de barulho para se tornarem melodias alegres e suaves como singelas guitarras que gritam e encaram aos seres humanos sem a ajuda das cordas ou de mãos desmerecedoras e o peito abre e as pernas abrem e a boca abre e a mente abre e o livro abre e o coração abre e a bolsa abre e a porta abre e a casa abre e a virtualidade abre e capitalização abre e a terra abre e tudo se come numa única inconclusão sobre a triste constatação da felicidade frugal que nem ela se sabe como lidar encontrar ou expressar.

terça-feira, 22 de maio de 2007

Concretudes perfeitas

De vez em quando, até mesmo o infinito ao redondo parece um número pequeno para expressar um sentimento, que chega e surpreende, me leva a desejar coisas antes proibidas, planejar coisas antes implanejáveis, simplesmente me deixar levar.

O desejo muda. Agora quero coisas mais concretas, palpáveis, simples. Os planos são muito mais harmônicos. Não preciso me desconstruir para viver. Posso ser eu mesma, o que me alegra por dentro.

E a diva é boa de acalentar. Boa de se querer fundo, boa de tudo o que é mais gostoso nesse mundo. Ela anima. Mesmo para dizer algo desagradável, a diva consegue ser amável.

Eu quero ver a diva, e ficar no meu lugar. Também quero ser a diva, e ficar no seu lugar.

A união dos pensamentos, dos desejos e das ações traz luzes coloridas, mas não ofuscantes ao ambiente.

É o amor saindo do plano das idéias para atingir a concretude deste mundo e que tanto completa o meu ser.

segunda-feira, 9 de abril de 2007

Domingo Sem Páscoa

Dessa vez, nem mesmo o chocolate salva. Pela primeira vez na vida, o nosso popular e mítico substituto do sexo não me seduz. Nem mesmo ele, cheio de encantos e de sensações orgiásticas, foi capaz de me atrair e, com seus poderes, secar as gotas salgadas que molham meus lábios.

Fatidicamente, hoje me veio a revelação. Não veio dos céus, nem em sonho. Foi real e concreta. Veio da boca, do olhar, dos gestos. Negativas misturadas aos desejos, às lembranças paradisíacas. É claro que ela já tinha surgido antes, suavemente. Mas uma confirmação dessa monta não é nada leve diante de uma simples mortal.

Enfim, a revelação do dia foi extremamente desesperadora. Não há como ficar no Paraíso. Simples assim. Direta e certeira no peito assim. Ele existiu somente por poucos instantes. Não pode tocar. Não pode sentir. Não pode provar. Mas estará para sempre me espreitando. Estará para sempre me tentando. Estará para sempre se amostrando, com seus dotes maravilhosos, com sua voz maravilhosa, cheiro, olhares e sorrisos, e com um jeito único de cativar.

Mas, apesar da chama estar viva e perceptível, pulsando dentro de nós, isso não nos é permitido. Pior, por nós mesmas.

Expulsas do Paraíso. Sem volta. Sem alegria. Impossível de aceitar essa realidade.

Mas, como para rir da desgraça alheia, ainda vem um daqueles por-do-sol de cinema, com direito a arco-íris, no meio da desigualdade e da preservação da natureza. Tudo isso, como se tivéssemos algo para celebrar, ao invés de algo para lamentar.

Termina assim, meu domingo sem páscoa. Termina assim, o grande amor da minha vida.

sábado, 17 de fevereiro de 2007

Aquele sentimentosinho



Minha janela aberta me convida a concorrer com os vôos domésticos, que atingem paraísos a 2.800 Km de distância.

Contemplo a noite, o dia, a tarde. As nuvens. O sol e suas nuances. Minhas asas não crescem. Me revolto. Mas sei que para isso há um bom motivo.

Contemplo a beleza que fica só na minha lembrança. Os lábios, os cheiros, os sabores, estarão para sempre gravados na minha alma. O carinho e admiração que foram criados, não se extinguem e sobrevivem à dor.

É bom lembrar dos abismos de sensações fantásticas. Das descobertas e prazeres infinitos.

A entrada para a adolescência é inesquecível.

É triste perceber que a realidade cai e acerta em cheio, por cima dos meus olhos, jogando sobre mim um véu, cegando a ilusão.

Meu coração se aperta, se encolhe. Não é possível ter acesso. Não tenho autorização.
A perfeição só existe com a capacidade de afastamento e será sempre um sonho bom, que me faz sorrir nos momentos mais adversos ou diante das mais grotescas desilusões.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

Inesquecível solidão de prazeres ou Suavidades finais



Repetições frenéticas que se repetem...

Sempre a mesma coisa, sempre as coisas mesmas.

Correrias nossas, lerdezas outras, problemas de fora pra dentro, soluções de dentro pra fora.

Stress.

Brigas, gritos, abraços, sorrisos, beijos, carinhos.

Aproximações de quem não ainda não conheço, afastamentos daquela que quase amei pro resto da vida.

Espero a dor e a solidão profunda e interminável.

Atônita, me forço a entender que há mais do que um chão de terra batida.

Mais do que a chuva, mas do que as dívidas.

Descobri que eu ainda sei sorrir, cantar e dançar.

Noite solitária de quem eu desejo, porém completa de quem eu mereço.

Angústias que se vão, reflexões que ficam.

Saudades imensas que criam lágrimas.

O psicotrópico que vem e nos tiram gargalhadas.

Vida que segue, na esperança do destino trazer boas e novas afinidades para eu preencher com meu ser reflexivo e ansioso.

Surpresas, a alegria e a paz brotam. E florescem. E conjugam. E brincam. E ficam.

domingo, 24 de dezembro de 2006

Saudades e Abismo

Lamento que a noite chegue todos os dias. Ou que ela acabe todas as manhãs.

Gostaria de poder sonhar eternamente com os beijos e abraços que me envolvem no delírio.

Velhos planos parecem menos perfeitos.

Ceder parece sacrifício.

Quero sair e flutuar pela noite, sentir o ar passando gostoso pelo meu corpo.

Controlar o tempo e o espaço.

Congelar os bons momentos.

E finalmente, esquecer os obstáculos que teimam em impedir que eu siga em frente.

quinta-feira, 30 de novembro de 2006

Saudabilidade divina

Lágrimas secas insistem em perturbar minha mente. Mulheres violentadas delicadamente ao meu redor. Dentes e músculos castigam. Sua coluna entorta. Outras conseguem sorrir, mesmo com males escorrendo por entre as pernas.

Mas são belas esculturas que me rodeiam, com seus olhares enigmáticos e vulneráveis, pedindo consolo ou simplesmente um afago.

Mesmo com a anti-saúde reinante os corpos se arrastam pela cidade, várias vezes ao dia. Sofrem chamadas não atendidas. Sofrem.

O poeta diria que o beijo da mulher amada poderia curar tudo. Seu calor, seu amor, sua plenitude são suficientes.

Vida longa aos poetas!

sábado, 18 de novembro de 2006

MilitÂnsia

Tudo o que se vê é inspirador. Caras indignadas, poses sérias para os jornalistas. Todas as jornalísticas. Palavras duras. Acusações que beiram ao neo-socialismo. Bons-moços. Responsabilidade social. Dedicação. Não-Governamentais de peso. Confirmação de presença na missa, por escrito. Apenas. Jantares e eventos.

Noutro momento, no qual se retira a maquiagem cuidadosamente, é possível ver que o berço dourado faz muita diferença. A indiferença. Insensibilidade. Preconceito. Racismo. Indignidade da pessoa humana. Desilusão que sofre. Decepção que fica e impede o avanço. Desrespeito que se mistura à robótica. Frustração do arrependimento.

Tristeza que atrapalha os planos e gera gastos inesperados. A saúde também não perdoa. Nem a depressão.

Obrigação de mudar, obrigando a circular novas tentativas. Com provas, seleções e viagens amáveis. Esta sim é a única solução para conter a ânsia devastadora dos falsos militantes.

Preservar para amar, isso sim salva vidas, carreiras e estômagos.

quinta-feira, 16 de novembro de 2006

Amor continental

Estava tudo resolvido. Adeus de um lado, lágrimas do outro. Dor. Separação.

Seria assim se não existisse telefone e internet. Nem eu te amo. Nem pensamentos constantes. Falta de aceitação.

Dilemas de um país de dimensões continentais. As pessoas insistem em transpirar beleza e maravilhas hipnotizantes de múltiplos encantos.

Controle do tempo e do espaço.

Dizer eu te amo.

Flutuar até o extremo leste atlântico, sentindo o aroma da pele macia que encanta.

Distâncias relativizadas. E a ilusão dos sonhos azuis de prazeres desejados se transformam no paradisíacos mundo dos gozos reais, ainda que proibidos.

quarta-feira, 15 de novembro de 2006

Nordeste Mágico

Às vezes o Nordeste pode ser mágico na Megalópole.

Várias paixões por uma mesma pessoa se misturam aos meus pensamentos e emoções.

A beleza excita e dá prazer em olhar, entrando num turbilhão de sensações físicas com o calor, a pele, o perfume em noites orgasmáticas que se emendam nos dias, intermináveis.

O pacote se completa com a inteligência, a sagacidade emocional que tanto encanta e conquista. Sensatez com sensibilidade, racionalidade com humildade, são combinações raras de se ver.

A graciosidade humana se personifica, calmamente, numa voz melodiosa aos ouvidos que escondem um tesouro valioso e impossível de ser possuído, um caráter invejável.

Mas as melhores mágicas, as mais bem feitas e praticamente perfeitas, sempre têm um fim. Sempre tem um antídoto, sempre algum mocinho vence.

Nesse caso, o vilão que anda aterrando a humanidade venceu, quebrando a boa mágica que andava tornando-me ainda mais flutuante.

O gozo é rapidamente substituído por altas doses de glicose e não há nada que se possa fazer, pois não tenho como controlar o tempo e o espaço que correm a meu desfavor.

Mas continuo puro desejo, iluminando a mim mesma, com a mesma intensidade de um pôr-do-sol nordestino.

terça-feira, 31 de outubro de 2006

Ser e não ser!!

Pós eleições de resultados pré conhecidos. Oposicionistas entristecidos, porém conformados com a rendição da classe média ao povo. Para eles, foi um domingo qualquer, literalmente. Com uma segunda-feira cheia de novos assuntos, cheia de velhos assuntos, simplesmente cheia de tudo o que não requer discussão política.
Ninguém comenta. Disfarça. Tem algo urgente para terminar mesmo.
E o povo, nem feliz nem triste, apenas escolheu aquele que o representa, aquele que lhe aparenta semelhança. Mas sem muita emoção. Sem aquele entusiasmo do desvirginamento político. Sem paixão. Só a razão. Sopesando o melhor, o pior, o que te inclui, o que não te exclui.
Um novo não ao conservadorismo em várias regiões, com reforços.
Orgulho do Norte e Nordeste.


Mas não só de política se vive.

Se vive de amor. Flor delicada e cheirosa, por vezes despetalada pelo vento.

Por vezes lhe retiram a beleza por não a enxergarem adequadamente...

Por vezes lhe retiram o viço ao não deixarem que fique ao sol, ao ar livre, respirando...

Se morre de amor.

Quando a flor é violentamente arrancada e com ela, as esperanças, as alegrias, as Felicidades.

Às vezes a flor renasce, às vezes não.

Às vezes vira um buquê, que pousa num vaso e é contemplada por todos.

Às vezes simplesmente morre sozinha, enterrada e humilhada.

Quero que me entreguem flores, mas não quero recebê-las!

Quero olhar o jardim de cima, sobrevoar o amor e a sua exposição ou a sua discrição e avaliar a felicidade. Dar uma nota a ela, defini-la, gozá-la.

Vou definindo a minha estratégia e quero tomar as decisões e fazer do meu jeito.

Será preciso ficar só pra se viver?

sexta-feira, 13 de outubro de 2006

Reorganizando a vida

Às vezes é importante organizar nossas coisas para reorganizar nossas vidas. O modo como eu lido com meus objetos, reflete o modo como eu lido com meus problemas, minha própria vida. A limpeza do chão muitas vezes ajuda a limpar a alma. Alvejemos tudo então. Já está mais do que na hora de andar para frente, sem cair pelos lados ou ceder às tentações endiabradas. Diante de tantas novidades sentimentais, num verdadeiro turbilhão, novas idéias surgem, apagando os velhos planos e os velhos rancores. Certas pessoas decidiram cair de vez no mar do esquecimento. Ainda bem.
Outra, no entanto, resolveu cair no mar das delícias debaixo do sol escaldante, com seu corpo maravilhoso, sua voz, seu sorriso, seu carinho, suas idéias, seu cheiro, suas possibilidades.
Surpreendo-me com as sensações. Tão antigas e tão novas me deixando sorrindo à toa, sonhando com o toque do meu celular e deixando meu trabalho ainda mais interessante.
Posso não ter certeza de tudo, mas as certezas nem sempre são bem-vindas. As incertezas e inquietações me deixam mais viva, me fazem pensar, me deixam mais esperta.
Apaixonando-me pelo impossível e pelo possível, fico reorganizando-me. E sigo ouvindo os susurros que antes soavam aos meus ouvidos em meio aos prazeres intensos que me conquistaram e que eu aguardo ansiosamente que se repitam na Paulicéia. Que saiam do som do maracatu para encontrarem o som surdo e agudo do prazer, que os amantes conhecem bem e que jamais estão completamente saciados.