Menina Mulher Flutuante

a arte de ser equilibrista numa sensação esvoaçante, de menina que quer ser grande e de mulher que não quer crescer

sábado, 17 de fevereiro de 2007

Aquele sentimentosinho



Minha janela aberta me convida a concorrer com os vôos domésticos, que atingem paraísos a 2.800 Km de distância.

Contemplo a noite, o dia, a tarde. As nuvens. O sol e suas nuances. Minhas asas não crescem. Me revolto. Mas sei que para isso há um bom motivo.

Contemplo a beleza que fica só na minha lembrança. Os lábios, os cheiros, os sabores, estarão para sempre gravados na minha alma. O carinho e admiração que foram criados, não se extinguem e sobrevivem à dor.

É bom lembrar dos abismos de sensações fantásticas. Das descobertas e prazeres infinitos.

A entrada para a adolescência é inesquecível.

É triste perceber que a realidade cai e acerta em cheio, por cima dos meus olhos, jogando sobre mim um véu, cegando a ilusão.

Meu coração se aperta, se encolhe. Não é possível ter acesso. Não tenho autorização.
A perfeição só existe com a capacidade de afastamento e será sempre um sonho bom, que me faz sorrir nos momentos mais adversos ou diante das mais grotescas desilusões.