Menina Mulher Flutuante

a arte de ser equilibrista numa sensação esvoaçante, de menina que quer ser grande e de mulher que não quer crescer

domingo, 7 de março de 2010

Bebendo leite

Pressão. Pressão. É isso que tenho, é isso que vivo.

O corpo já não é o mesmo e tudo me faz perceber a mudança. O guarda-roupa, outrora alegre, vivo e colorido, hoje me mostra poucas peças, tristes e repetidas.

Os pés antes provocantes, perderam o frisson, o cetim e ganharam a atenção do jaleco.

As máquinas passam por mim, mas eu me abaixo, me escondo. As pessoas de um passado recente - e distante também - são suavemente dissipadas. A vergonha, o arrependimento, a fraqueza são pesos duros de carregar. Ás vezes tenho que me arrastar para carregar tudo.

O senso de aventura foi perdido. A coragem de desbravar o mundo. De dar a cara a tapa. Tudo culpa de uma desilusão idiota, na qual todas as pessoas envolvidas foram idiotas - sem querer, prestando atenção nos valores errados e com 100% de imaturidade.

A gente vai se contentando com mais ou menos 20% do planejado. Vai se deixando levar. Vai aceitando as idéias dos outros. E por isso, vai ficando para trás.

E quando vemos, somos pessoas muito diferente do que éramos, somos muito diferentes do que queríamos ser. Decepcionamos a todos que estão a nossa volta e a nós mesmos por consequencia.

Não é fácil ter toda a responsabilidade do mundo. Ter que prestar atenção em tudo, resolver todos os problemas. Nunca se deixar abater. Bater continência quando necessário e partir para a luta armada ou vias de fato em outros momentos.

Talvez não tenha nascido para camaleoa. Calculei mal o que poderia suportar como a mulher que devo ser.

Repensar tudo? Dá uma grande preguiça e uma sensação de impotência. Mas acho que é a única saída. Espero reunir forças para não perecer no caminho.