Festinha capilar
Meus cabelos agradecem, por se libertarem da opressão das palavras más ao seu respeito.
Por se libertarem da opressão dos grampos, da opressão das fivelas e das “marias-chiquinhas” que o envolviam por pura obrigação, ou por pura injustiça e preconceito.
Que bela decisão tomei por eles, abandonando o antro do não entendimento!
Não terão mais que ouvir calados ou perceber os olhares de reprovação por estarem interligados, em tranças magníficas, que em outros locais poderiam ser admirados e vangloriados.
Os colegas claros e escovados, de laquê ou de chapinha que não se conformam e soltam o verbo não mais incomodarão.
Ganharão as ruas da alegria as visões de todos que assim quiserem ver, sem poder mais usar a mídia como desculpa esfarrapada, para suas mentes tortas e doentes.
Se regozijam e agradecem, por mais não terem que se esconder, para terem que disfarçar o crespo natural como se isso fosse vergonha ou defeito.
Poderão subir para onde quiserem, em todas as direções, sem restrições, num efeito colateral dos mais desejáveis e que os opressores sequer imaginaram. Das suas alturas, meus cabelos poderão rir até gargalhar em sincera alegria. Se balançam, brincam, num gozo único e esperado, que enfim se concretiza.
Viva o meu cabelo bom!


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