pés falantes
Seus pés, meus pés.
Unidos, quentes, semelhantes. Enfeitando, aconchegando.
Os pés me provocam, me tocam, me tentam. Me olham com seus olhos invisíveis e incisivos, me convidam.
Quando estão em dor, me suplicam atenção especial, com aromas igualmente especiais, que somente nós podemos sentir nesses momentos. E tudo de mal se vai, dando lugar somente ao prazer e ao sorriso dos olhos fechados, que se concentram totalmente nessa sensação.
E uma sensação leva a outras, com carinhos pela face e pelas costas, que a pele macia e cheirosa tanto convida as mãos.Os carinhos que são inerentes às pessoas que amam verdadeiramente, que nem se dão conta do passar do tempo. Na verdade, ele sequer existe para nós.
E mesmo sendo adulta, me sinto uma criança, sendo ninada em seu colo, mesmo sendo eu a quem usa as mãos para levar o torpor aos seus sentidos.
Os momentos se eternizam na minha mente, na minha alma, ficando gravados. Só de olhar os móveis e sua disposição, as boas lembranças se reacendem. O fogo arde em meu peito, que requer repetições, o máximo que for possível às nossas existências. O máximo que nos permitirem os ladrões do nosso tempo, o máximo que permitirem os malfeitores que preferem lutas, agressões e violências ao amor sincero que incansavelmente praticamos.


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