Menina Mulher Flutuante

a arte de ser equilibrista numa sensação esvoaçante, de menina que quer ser grande e de mulher que não quer crescer

quinta-feira, 30 de novembro de 2006

Saudabilidade divina

Lágrimas secas insistem em perturbar minha mente. Mulheres violentadas delicadamente ao meu redor. Dentes e músculos castigam. Sua coluna entorta. Outras conseguem sorrir, mesmo com males escorrendo por entre as pernas.

Mas são belas esculturas que me rodeiam, com seus olhares enigmáticos e vulneráveis, pedindo consolo ou simplesmente um afago.

Mesmo com a anti-saúde reinante os corpos se arrastam pela cidade, várias vezes ao dia. Sofrem chamadas não atendidas. Sofrem.

O poeta diria que o beijo da mulher amada poderia curar tudo. Seu calor, seu amor, sua plenitude são suficientes.

Vida longa aos poetas!

sábado, 18 de novembro de 2006

MilitÂnsia

Tudo o que se vê é inspirador. Caras indignadas, poses sérias para os jornalistas. Todas as jornalísticas. Palavras duras. Acusações que beiram ao neo-socialismo. Bons-moços. Responsabilidade social. Dedicação. Não-Governamentais de peso. Confirmação de presença na missa, por escrito. Apenas. Jantares e eventos.

Noutro momento, no qual se retira a maquiagem cuidadosamente, é possível ver que o berço dourado faz muita diferença. A indiferença. Insensibilidade. Preconceito. Racismo. Indignidade da pessoa humana. Desilusão que sofre. Decepção que fica e impede o avanço. Desrespeito que se mistura à robótica. Frustração do arrependimento.

Tristeza que atrapalha os planos e gera gastos inesperados. A saúde também não perdoa. Nem a depressão.

Obrigação de mudar, obrigando a circular novas tentativas. Com provas, seleções e viagens amáveis. Esta sim é a única solução para conter a ânsia devastadora dos falsos militantes.

Preservar para amar, isso sim salva vidas, carreiras e estômagos.

quinta-feira, 16 de novembro de 2006

Amor continental

Estava tudo resolvido. Adeus de um lado, lágrimas do outro. Dor. Separação.

Seria assim se não existisse telefone e internet. Nem eu te amo. Nem pensamentos constantes. Falta de aceitação.

Dilemas de um país de dimensões continentais. As pessoas insistem em transpirar beleza e maravilhas hipnotizantes de múltiplos encantos.

Controle do tempo e do espaço.

Dizer eu te amo.

Flutuar até o extremo leste atlântico, sentindo o aroma da pele macia que encanta.

Distâncias relativizadas. E a ilusão dos sonhos azuis de prazeres desejados se transformam no paradisíacos mundo dos gozos reais, ainda que proibidos.

quarta-feira, 15 de novembro de 2006

Nordeste Mágico

Às vezes o Nordeste pode ser mágico na Megalópole.

Várias paixões por uma mesma pessoa se misturam aos meus pensamentos e emoções.

A beleza excita e dá prazer em olhar, entrando num turbilhão de sensações físicas com o calor, a pele, o perfume em noites orgasmáticas que se emendam nos dias, intermináveis.

O pacote se completa com a inteligência, a sagacidade emocional que tanto encanta e conquista. Sensatez com sensibilidade, racionalidade com humildade, são combinações raras de se ver.

A graciosidade humana se personifica, calmamente, numa voz melodiosa aos ouvidos que escondem um tesouro valioso e impossível de ser possuído, um caráter invejável.

Mas as melhores mágicas, as mais bem feitas e praticamente perfeitas, sempre têm um fim. Sempre tem um antídoto, sempre algum mocinho vence.

Nesse caso, o vilão que anda aterrando a humanidade venceu, quebrando a boa mágica que andava tornando-me ainda mais flutuante.

O gozo é rapidamente substituído por altas doses de glicose e não há nada que se possa fazer, pois não tenho como controlar o tempo e o espaço que correm a meu desfavor.

Mas continuo puro desejo, iluminando a mim mesma, com a mesma intensidade de um pôr-do-sol nordestino.