Menina Mulher Flutuante

a arte de ser equilibrista numa sensação esvoaçante, de menina que quer ser grande e de mulher que não quer crescer

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Ardências memoráveis pulsantes na tarde de estudos

Estou isolada, encurralada em meio a um ambiente limpo e lindo, com plantas, luzes, brilhos. E ainda há o sol. A música de menina ressoa por meus ouvidos e contagia minha alma. Recebo convites de pessoas de origens e idades variadas. Penso nas soluções para os problemas dos outros. Finalizo minhas obrigações mais urgentes, sem necessidade de impetuosidades verbais.

A tarde termina tranqüila e preguiçosa, sorrindo para mim, me convidando para o deleitar da noite e os prêmios da manhã. Eu sorrio de volta, como há tempos não fazia, me enamorando do pôr do sol, encontrando beleza onde ela nem mesmo quer existir. Isso sim é que é felicidade. Nem as pílulas interessantes poderiam prever essas sensações.

Sim, sim, estou estudando... tenho os meus objetivos. Minha necessidades, minhas obrigações.

Mas.....

Eis que surge a musa. Surge elétrica, me contagia pelo ar, eu a respiro, sinto seu perfume chegando de longe. E tudo pára de repente. Quero refletir mais, quero mais tempo. Mas ela está aí na minha frente, pronta para mim. Ela me chama. Me presenteia com o seu universo sensorial de amabilidades e possibilidades. Eu tenho que agir. Tenho que seguir meus próprios conselhos?! Ou... Não, não quero perder a minha musa, não quero que me abandone, injustamente.

Me lembro de como é a pele, tão macia nas noites de abraço. E desejo que me toquem, urgentemente.

Umas olham e outras sugam. Há quem queira imaginar e tenha medo da realidade reluzente do término dos prazeres. Quero despertar a luxúria novamente. Que a despertem também. Que a despertem. Desperte!

Eu me abro... tudo é propício.... me inundo... Me permito fechar os olhos e abrir os lábios tão naturalmente que nenhuma das almas ao meu redor perceba o meu jogo. Jogo de calor que refresca. Me sinto culpada por breves segundos. E volto para as loucuras inebriantes dessa ausência de ilusão.

Dolorosas divagações ou recitação permanente de efeitos surpreendentes

Olhar para dentro e viajar para aquilo que realmente se quer é algo simples simples demais e combina com a simplicidade da vida sim como imaginar o sorriso o desejo o prazer a alegria a descontração o carinho a amizade o amor a beleza o descanso o céu a terra o mar a brisa tudo isso misturado num tornado enlouquecedor ensurdecedor sacudindo as pessoas e as cidades revolvendo as terras fazendo as árvores voarem nos cérebros sem idéias e sem parafusos tudo polarizado e esvoaçante num segundo numa troca de estações do metrô sob os olhares dos curiosos e curiosas que lêem o que lhes convém e também o que convém a quem lhes domina a vontade e o desejo de abrir os braços infinitamente numa vã busca por aquilo que lhes apetece por agora ou depois ou nunca ou tarde demais perturbação pouca é bobagem porque quero saltar rumo ao infinito gelatinoso e neutralizante do todo como se a densidade do ar e da água e do vácuo pudessem se adaptar aos desejos de quem se joga na ânsia de alcançar os demais sem nunca seguir seu próprio caminho sem os barulhos de sempre e com os barulhos do outro lado que deixam o status de barulho para se tornarem melodias alegres e suaves como singelas guitarras que gritam e encaram aos seres humanos sem a ajuda das cordas ou de mãos desmerecedoras e o peito abre e as pernas abrem e a boca abre e a mente abre e o livro abre e o coração abre e a bolsa abre e a porta abre e a casa abre e a virtualidade abre e capitalização abre e a terra abre e tudo se come numa única inconclusão sobre a triste constatação da felicidade frugal que nem ela se sabe como lidar encontrar ou expressar.